Parte 3
Eleny Queiroz, que residiu em Natal, conhece o dia-a-dia de outras cidades brasileiras de portes assemelhados, e oferece uma análise mais aguda, em torno das possibilidades extraviadas e do potencial abandonado pelos administradores. Nesse sentido, faz um espelho para Natal com as rotinas administrativas de Atibaia, município paulista, e Salvador, capital baiana, e a própria capital paulista.
"Tem mais de 20 anos que estou fora de Natal, e o que parece é que a cidade cresceu, mas que não se desenvolveu. Crescimento não é sinônimo de desenvolvimento. De modo que muita coisa parece que mudou, e esse ‘mudou’ também não sei se é mudou para melhor. Por exemplo, a cidade recebe hoje um fluxo de turistas que há 20 anos não se conseguia nem imaginar. Hoje, a gente se bate, quinhentas vezes na rua, com pessoas diferentes, oriundas de vários países, e parece que não há muito lastro aqui na cidade. Outro dia eu estava em Ponta Negra, e vi um homem estrangeiro, de seus 40, 50 anos, com duas meninas que não tinham mais do que 12 anos. Então, você olha e se pergunta: onde é que estão as pessoas que tomam conta? Cadê os educadores de rua, que deviam estar aqui? A cidade está cheia de turistas, e que capacitação as pessoas da cidade, principalmente os jovens, tiveram para poder receber essas pessoas, que não seja se degradando, se vendendo? Que orientação ou capacitação esse jovens tiveram ou têm?"
O potencial turístico de Natal é lembrado pela psicóloga, como algo desperdiçado, apesar do efeito maciço dos investimentos na propaganda oficial.
"Pelo que parece, aqui funciona uma coisa meio feudalista, ainda. Atibaia, por exemplo, um município paulista, é uma cidade menor, mas tem uma estrutura excelente, principalmente para turista, visando o seu próprio desenvolvimento. A cidade tem a Festa do Morango e vários eventos durante o ano. Tem a Festa das Flores, do Morango, a dos jovens, que fazem arte e que vão apresentar. São festivais, e tudo aquilo são eventos extremamente divulgados e aí as pessoas vêm de São Paulo, de cidades vizinhas, de Minas, para comprar, para conhecer, se interessam pela cidade enquanto um lugar capaz de se colocar um comércio e de se desenvolver ali. As pessoas acabam se interessando não apenas por aqueles trabalhos que estão vendo ali, mas também até em morar na cidade. Até porque tem um clima muito bom, que é algo parecido com Natal. Muita segurança, as pessoas se sentem seguras. Em São Paulo já é bem diferente, neste aspecto. Já Natal, que tem o caju, mas eu nunca eu ouvi falar que tivesse um Festival do Caju. Tem o maior cajueiro do mundo, têm artistas aí que pintam só o caju, é muito legal. Mas onde está o resto?"
"Tem mais de 20 anos que estou fora de Natal, e o que parece é que a cidade cresceu, mas que não se desenvolveu. Crescimento não é sinônimo de desenvolvimento. De modo que muita coisa parece que mudou, e esse ‘mudou’ também não sei se é mudou para melhor. Por exemplo, a cidade recebe hoje um fluxo de turistas que há 20 anos não se conseguia nem imaginar. Hoje, a gente se bate, quinhentas vezes na rua, com pessoas diferentes, oriundas de vários países, e parece que não há muito lastro aqui na cidade. Outro dia eu estava em Ponta Negra, e vi um homem estrangeiro, de seus 40, 50 anos, com duas meninas que não tinham mais do que 12 anos. Então, você olha e se pergunta: onde é que estão as pessoas que tomam conta? Cadê os educadores de rua, que deviam estar aqui? A cidade está cheia de turistas, e que capacitação as pessoas da cidade, principalmente os jovens, tiveram para poder receber essas pessoas, que não seja se degradando, se vendendo? Que orientação ou capacitação esse jovens tiveram ou têm?"
O potencial turístico de Natal é lembrado pela psicóloga, como algo desperdiçado, apesar do efeito maciço dos investimentos na propaganda oficial.
"Pelo que parece, aqui funciona uma coisa meio feudalista, ainda. Atibaia, por exemplo, um município paulista, é uma cidade menor, mas tem uma estrutura excelente, principalmente para turista, visando o seu próprio desenvolvimento. A cidade tem a Festa do Morango e vários eventos durante o ano. Tem a Festa das Flores, do Morango, a dos jovens, que fazem arte e que vão apresentar. São festivais, e tudo aquilo são eventos extremamente divulgados e aí as pessoas vêm de São Paulo, de cidades vizinhas, de Minas, para comprar, para conhecer, se interessam pela cidade enquanto um lugar capaz de se colocar um comércio e de se desenvolver ali. As pessoas acabam se interessando não apenas por aqueles trabalhos que estão vendo ali, mas também até em morar na cidade. Até porque tem um clima muito bom, que é algo parecido com Natal. Muita segurança, as pessoas se sentem seguras. Em São Paulo já é bem diferente, neste aspecto. Já Natal, que tem o caju, mas eu nunca eu ouvi falar que tivesse um Festival do Caju. Tem o maior cajueiro do mundo, têm artistas aí que pintam só o caju, é muito legal. Mas onde está o resto?"

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