domingo, julho 09, 2006

Natal: muito potencial aguarda ser aproveitado

Final
A programação do turismo, segundo Eleny Queiroz, deveria acompanhar o desenvolvimento das pessoas, no sentido de propiciar-lhe saídas existenciais, com a oferta de oportunidades de trabalho, estudo e recompensas pelo esforço despendido.
"A cidade deve aproveitar isso tudo que a cidade já tem. Falo do caju, que é um produto local, e que deveria ser aproveitado, dando-se um evento apenas para o produto. Mas parece que isto não é importante. Não sei exatamente o que acontece, o que é importante aqui. O que dá para observar é que a cidade não tem base para isto. É como se os gestores daqui estivessem em outro planeta. Porque não aproveitam o que a cidade tem de melhor. E tem muita coisa legal. O que é que tem no subúrbio que pode encantar um jovem? Porque, como se sabe, um jovem precisa de encantamento. Ele precisa de uma coisa que o leve, senão, ele não vai. E um encantamento, talvez, seria resgatar as raízes da própria cidade. Haveria um festival onde se mostrassem suas danças, num festival que não fosse apenas uma vez por ano. Mas uma coisa regular, num espaço, onde todos eles pudessem ter acesso, sem grandes complicações e que fosse divulgado também. Porque não adianta ter o espaço e acontecer de ir uma pessoa, uma vez por mês, abre aquilo, aparecem os fotógrafos, jornalistas, e depois aquele espaço só no ano que vem é que aparece. Seria alguma coisa que a comunidade pudesse sentir como sendo dela. Para ela fazer parte e ela inclusive expor as idéias dela. ‘Elas’ que estou dizendo são essas pessoas que moram nesses locais menos favorecidos, e que talvez a partir daí eles pudessem se sentir importantes."
"Salvador, como um berço de artistas, como aqui também, de poetas, escritores, pessoas extremamente criativas, os artistas, sejam músicos, pintores, escultores, pegam aqueles jovens dos lugares mais desfavorecidos que teme procuram conquistá-los. Ele não vai gratuitamente. E na medida em que ele vai sentindo naquilo uma coisa consistente, ele começa a se interessar. A Faculdade de Medicina de Salvador tem um espaço ocupado por profissionais para dar aula de expressão corporal para as crianças. E depois daquela aula, elas vão para uma outra, onde vão bater tambor, aprendendo os ritmos. Lá são grupos independentes, mas muitas essas pessoas já têm uma ONG, porque acaba tendo um pouco mais de recursos. E individualmente isto é mais difícil. Mas até a própria população pode fazer, procurando as parcerias. As parcerias com supermercados, com empresários locais, o comércio, que é muito afetado por esses jovens desempregados. O comerciante vai lá e financia, patrocina um projeto, como de uma corrida anual, para os jovens se estimularem. Como tem em São Paulo, feito pelo Paulo Diniz, do Grupo Pão de Açúcar. É fantástico aquilo. Eles dão a camiseta, ninguém precisa pagar nada. Não interessa se é uma vez por ano, mas durante o ano tem um cara que treina aquelas crianças, as que eles vêem que têm mais potencial, que correm melhor. Então, tudo isto acaba estimulando o jovem." (Publicado no Caderno Encartes do Jornal de Natal de 16.01.06)

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