domingo, julho 09, 2006

Puta-Ema Potiguar Fashion

Parte 4

Poderosa, sim, meu filho. Se enxergue! Quer o quê? Quem traz divisas para o PIB potiguar? Quem é a isca dos fluxos dos vôos charters estrangeiros? Quem enche de orgulho a burra dos senadores e de verdinhas as estatísticas do turismo potiguar? É bom elucidar de vez, para evitar BOs incômodos. Sou mermo a gostosa, meu canguleiro. A preferida dos políticos e empresários. A alegria de festinhas e convescotes dos capitães da indústria.
Sostô faltar a tu a vista real da minha condição de insumo turístico. Principal matéria-prima de exportação, dando corpo às paisagens luxuriantes de Pipa, Sibaúma, Baía Formosa e Sagi. Contracenando com a beleza estonteante de Pititinga. Rárárá.
Sou também, ô paspalho, uma Cunhã-poranga no capricho. Representante na fôrma de todas as nossas ninfetas indígenas destroçadas feito as bonecas de Igapó, as garotinhas das famílias de Nazaré, as namoradinhas das tribos da Lagoa Azul, a interlocutora das nações aborígines potiguares destruídas pelos portugas dantanho, das macro-etnias despedaçadas pelos invasores de olho azul do passado, como os Kaiowá, Yanomami, Tikuna, Xavante, Kaiapó, Timbira, Tikuna, Macuxi.
Não sou filha, nem irmã, nem amante, nem esposa, nem sequer uma cidadã. Sinta a presença de Anita, o perfume de Alice, criatura de Carroll, nas minhas malucas peripécias agarrada nos pentelhos pelos países das Maravilhas e do Espelho. Na sintonia fina da rede que manda e que pesca, a ninfeta dos vereadores de Natal, a lolita dos deputados potiguares, com o beicinho e o dengue maroto das mimosas de Anchieta Fernandes e os trejeitos das gurias de Polanski.
Tu abre do olho. Ninguém é imaturo no breu de Natal. Rárárá. As pessoas deixam acontecer. Às vezes se perdem um pouco. Mas se acham. Aqui rola Tutti fruti que rima com / Boot boot que rima com / Cut cut vamos gargalhar / Rárárá. Comecei a namorar com 7 anos. A escola existia nos livros da TV. Chupava e dava beijo romântico. A gente precisava viver. Com 11 anos, fumava cigarro, bebia. Agora a realidade é a Melissinha, o perfume Jungle L’ Elephant, roupas Herchcovitch, uma faxina básica e toda limpa com panos da Zoomp. Se estou ganhando dinheiro, não estou roubando. Não é tráfico. Tudo está bom. E quem não gosta de sexo? Já sei namorar / Já sei beijar de língua / Agora, só me resta sonhar / Já sei onde ir / Já sei onde ficar / Agora, só me falta sair. A vida é bela. Não aprende quem não quer. A gente aqui é meio mamãe-sabe-tudo. Sempre fomos porta-vozes de nossas desgraças. (Publicado no Encartes do Jornal de Natal em 23.01.06).

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