domingo, julho 09, 2006

Padre Sátiro: lenda viva de Mossoró

Parte 2

Padre Sátiro, foi quem primeiro percebeu que a igreja, cuja construção teve início em 1915, época em que o Nordeste enfrentava uma grande seca e a cidade abrigava 12 mil flagelados necessitando de comida e emprego, estava para desabar na década de 50. Providenciou para sensibilizar as autoridades, em especial porque a capela mantém em suas paredes parte da história de Mossoró, como primeira cidade a resistir e vencer uma investida do cangaceiro Lampião e seu bando, no dia 13 de junho de 1927.
"Quando fui designado para assumir as minhas funções em Mossoró, eu fiquei escravo. É a palavra que eu uso. Escravo do Colégio Diocesano Santa Luzia. Eu fiz meu curso de Teologia em Roma. Eu fui para Roma para estudar para ser padre. E vigário. Para trabalhar na Pastoral. Mas quando eu voltei de Roma, no outro dia, o bispo de Mossoró, dom Eliseu Simão Mendes, disse: ‘Você vai secretariar o Colégio Diocesano’. O diretor na época era monsenhor Sales. Aliás, um grande diretor, que começou a fazer as instalações novas do colégio. Porque o colégio velho era no centro da cidade. Mas não comportava mais o alunado. O padre Sales, juntamente com dom Eliseu, fizeram esse colégio. E eu comecei a minha vida nesse colégio. Passei um ano, ainda, e ia todo fim de semana para Areia Branca. Foi o único tempo bom, que eu ia assim visitar Areia Branca. E não tinha asfalto, não. A gente ia numa caminhonete, até chegar em Porto Franco, pegava um barco e ia para Areia Branca de barco. Aí me fixei em Mossoró. Então, o bispo me nomeou capelão da igreja de São Vicente. Mas ela ficou histórica, por causa do 13 de junho de 1927, quando Lampião quis invadir Mossoró. E errou. A principal trincheira de Mossoró estava na torre dessa igrejinha."
Ele recorda da primeira professora, ao saber do seu passamento, lendo os jornais de Mossoró, e providenciou imediatamente para estar na missa de 7o Dia, a fim de homenageá-la. "Por coincidência, eu li no jornal, pela manhã, sobre a missa de 7º Dia, e tive aquele choque. A gente a chamava de Cícera Florêncio. Foi a minha primeira professora primária, lá em Pau dos Ferros. E por sinal, professora do ministro José Dantas, meu irmão, também. Ela tinha um costume de dar aos alunos mais aplicados uma imagem de São Pedro. Eu guardei essa imagenzinha, uma estampa de São Pedro. E a escola era uma escolinha particular, não tinha nome de escola. A gente chamava de aula particular. E eu fui alfabetizado por ela. Era a Carta de ABC. As primeiras letras do ministro José Dantas e eu, nós aprendemos com dona Cícera. Éramos uns 10 ou 15 alunos, e aí tinha aquela rodada. E aí com o tempo, todos os sábados tinha a tal da sabatina. A sabatina era a palmatória." (Publicado em 23.01.06.)

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