sábado, julho 07, 2007

Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo

"Coliseu de Roma foi um dos eleitos
(Foto: Divulgação)
O Cristo
"A estátua do Cristo Redentor possui cerca de 38 metros de altura e fica no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, que está a 740 metros acima do nível do mar.
O projeto, feito de pedra-sabão e considerado patrimônio histórico desde 1937, é do engenheiro Heitor Silva Costa, com colaboração do escultor francês de origem polonesa Paul Landowski. O desenho final é do artista plástico Carlos Oswald."

Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo


"Taj Mahal está entre novas sete maravilhas;
mausoléu é ameaçado por poluição na Índia
(Foto: Ahmad Masood/Reuters)
"Algumas campanhas tentaram angariar votos
para seus representantes. O Cristo Redentor, a Muralha da China
e Machu Picchu, por exemplo, tiveram o apoio de tais estratégias de marketing.
Para a maravilha brasileira o site www.votecristo.com.br, da campanha
Vote Cristo arrecadou votos e ensinava como votar no Cristo.
O certificado de participação do monumento no concurso
foi recebido por Dom Eusébio Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro,
pelas mãos do idealizador do concurso, Bernard Weber, em fevereiro."

Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo

O monumento de Petra, na Jordânia
(Foto: Divulgação)
"Em junho, a estátua figurava entre os favoritos,
mas em maio e meses anteriores, a votação
para o Cristo não atendia o esperado.
Evento
A cerimônia deste sábado foi apresentada
pelo ator britânico Ben Kingsley e a atriz americana Hillary Swank."

Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo

Pirâmide de Chichén Itzá, no México
(Foto: Divulgação)
"O ex-astronauta Neil Armstrong, o ex-secretário-geral da ONU (Organização das Nações UNidas) Kofi Annan, a atriz e a cantora Jennifer Lopez e o primeiro-ministro português, José Socrates, presidente em exercício da União Européia (UE), estiveram entre os presentes.
A produção foi retransmitida em mais de 170 países. Os organizadores afirmam que a audiência estimada ficou em 1,6 bilhão de espectadores ao redor do mundo."
(Veja matéria no UOL, aqui.)

Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo

"Machu Picchu, no Peru (foto), recebe
diariamente até 2.500 turistas
"É a primeira vez na história que todos os cidadãos do mundo puderam votar e decidir", comemorou o português Diogo Freitas do Amaral, presidente da comissão de honra do evento.
A primeira parte do evento foi dedicada à proclamação das sete maravilhas de Portugal, que não tinham nenhum lugar na competição mundial.
Além da eleição das sete novas maravilhas, a lista é integrada ainda pelas pirâmides egípcias de Gizé, única maravilha antiga a ter sobrevivido aos anos, que foram declaradas "hors concours" e já eram "maravilha do mundo de honra".
Com Efe e France Presse (Matéria do site UOL. Veja aqui.)

quinta-feira, julho 05, 2007

Ninguém diz: pensei que era um político...

Quadrilhas de canalhas
Contardo Calligaris
Folha de S. Paulo, São Paulo, quinta-feira, 05 de julho de 2007
"Está com medo de tornar-se doméstica ou prostituta? Bata em pobres, índios e putas
EM POUCAS linhas, na Folha de sexta, dia 29 de junho, Eliane Cantanhêde descreveu perfeitamente o mundo no qual é possível que rapazes de classe média queimem um índio pensando que é "só um mendigo" ou espanquem uma mulher pensando que é "só uma prostituta". Provavelmente, não teria sido muito diferente se eles tivessem pensado que era só uma empregada doméstica.
É um mundo em que a permissividade é o melhor remédio contra a inevitável insegurança social. Nesse mundo, os pais fazem qualquer coisa para que seus rebentos acreditem gozar de um privilégio absoluto; esse é o jeito que os adultos encontram para acalmar sua própria insegurança, para se convencer de que eles mesmos gozam de privilégios garantidos e incontestáveis. Como escreveu Maria Rita Kehl no Mais! de domingo passado, nesse mundo, aos inseguros não basta ser cliente, é preciso que eles sejam clientes especiais.
Uma classe média insegura é o reservatório em que os fascismos sempre procuraram seus canalhas. Você está com medo de perder seu lugar e, de um dia para o outro, tornar-se índio, mendigo ou empregada doméstica? Pois é, pode bater neles e encontrará assim a confortável certeza de seu status. Aos inseguros em seu desejo sexual, aos mais apavorados com a idéia de sua impotência ou de sua "bichice", é proposto um remédio análogo. Você provará ser "macho" batendo em "veados" e prostitutas.
Há mais um detalhe: a inteligência humana tem limites, a estupidez não tem. Essa diferença aparece sobretudo no comportamento de grupo. Imaginemos que a gente possa dar um valor numérico à inteligência e à estupidez. E suponhamos que o valor médio seja dois. Pois bem, três sujeitos mediamente inteligentes, uma vez agrupados, terão inteligência seis. Com a estupidez, a coisa não funciona assim: a estupidez cresce exponencialmente. A soma de três estúpidos não é estupidez seis, mas estupidez oito (dois vezes dois, vezes dois). Quatro estúpidos: estupidez 16. Cinco: estupidez 32.
Curiosamente, essa regra vale até chegar, mais ou menos, a um grupo de dez. Aí a coisa tranca: a partir de dez, torna-se mais provável que haja alguém para discordar da boçalidade ambiente. Não porque, entre dez, haveria necessariamente um herói ou um sábio, mas porque, num grupo de dez, quem se opõe conta com a séria possibilidade de que, no grupo, haja ao menos um outro para se opor junto com ele.
Esse funcionamento, por sua vez, decai quando o grupo se torna massa. É difícil dizer a partir de quantos membros isso acontece, mas não é preciso que sejam muitos: um grupo de linchamento, por exemplo, pode desenvolver toda sua estupidez coletiva com 20 ou 30 membros.
Em alguns Estados dos EUA, é permitido dirigir a partir dos 16 anos. Mas, em muitos condados desses Estados, vige uma lei pela qual um jovem, até aos 21 anos, só pode dirigir se houver um adulto no carro. Pouco importa que esse adulto seja habilitado a se servir de um carro. O problema não é a perícia do motorista, mas o fato estatístico de que três, quatro ou cinco jovens num mesmo carro constituem um perigo para eles mesmos e para os outros: o grupo de "amigos" potencializa a estupidez de cada um, muito mais do que sua inteligência. Talvez seja por isso, aliás, que, para o legislador, a formação de quadrilha é um crime em si.
Qualquer pai de adolescente reza ou deveria rezar para que seu filho encontre rapidamente uma namorada e passe a sair na noite com ela, não com a turma dos amigos. Pois a turma é parente da gangue.
Como se sabe, o pai de um dos cinco jovens que, na madrugada do dia 23 de junho, na Barra da Tijuca, espancaram Sirlei Dias de Carvalho Pinto, comentou, defendendo o filho: "Prender, botar preso junto com outros bandidos? Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses?". É o desespero de quem sente seu privilégio ameaçado: como assim, tratar a gente como qualquer um?
Não éramos "clientes especiais"?
Mas as frases revelam também a distância entre o filho que o pai conhece em casa (o filho que teria "caráter") e o filho que se revela na ação do grupinho (esse filho não tem "caráter" algum).
O que precede poderia ser entendido como uma atenuante, tipo: eles agiram assim não por serem canalhas, mas por estarem em grupo. Ora, cuidado: o grupo não produz, ele REVELA os canalhas. "
ccalligari@uol.com.br (Texto na FSP)

Relaxa e goza

Bob Motta
Especial para o Encartes
Todo brasilêro, qui véve no mundo,
tá sofrendo munto, nuis aeroporto,
cum uis nêivo acabado, mêi vivo, mêi morto,
num cunstrangimento, prá lá de profundo.
De sastisfação, num tem um sigundo,
já tá istressado, de tanto isperá.
E quando um repórte, ôzô preguntá,
a Ministra dixe, naquele momento:
Relaxe e goze, sem cunstrangimento,
cantando galope na bêra do má.
Uma lapa de fila, de quage uma légua,
qui nem uma cobra, pru tôdo saguão,
é um dirmantêlo, juro, meu irmão;
o cabra se sente um fíi d’uma égua.
É um sufrimento, uma luta sem trégua,
uma cáiga pesada, mode carregá.
E a Dona Ministra, a se pabulá,
é se imbunecando, na frente do ispêio,
e alí ripitindo aquêle cunsêio,
cantando galope na bêra do má.
E do Oiapoque, inté o Chuí,
o país intêro, ficô criticando,
o povo, aquela agunia passando,
da bêra da praia, inté o Carirí.
Aí a galêga, querendo fugí,
sua sugestão, tentô remendá.
Mais ficô pió, pode acreditá;
pois Dona Ministra, pisando na bola,
cagô pru intêro, foi na rabichólha,
cantando galope na bêra do má. (Foto)

Relaxa e goza

Eu queria vê, era o resurtado,
se ela infrentava, assim, tão valente,
uma "sextavada", de costa ô de frente,
de um cabra grossêro, bem "acavalado".
Será qui ela dava conta do recado?
Reséivo o derêito , disso, duvidá.
Ela ia gemê, ela ia gritá,
se o cabra "acunhasse"; sem cunstrangimento,
na galêga véia, aquêle instrumento,
cantando galope na bêra do má.
Aí eu dizia, qui a Dona Ministra,
no levá madêra, era banbanban.
Daquela qui trepa, inté de menhã,
dróme na "chibata", inda num se farta.
Daquela qui goza, inté lendo carta,
de um macho, querendo, cum ela, transá.
Qui chora na pêia, mais sem recramá,
come um bataião e diz, quero é mais,
"na porta da frente ô na de detráis",
cantando galope na bêra do má.
Porém, Dona Marta; já fique sabendo,
qui aquêle cunsêio, num pegô tão bem.
Puta de malandro, lhe juro, é quem,
só goza, cum o macho, munto lhe batendo.
Cum o trato qui o pôvo, véve arrecebendo,
num dá, eu lhe juro, prumode gozá.
Digo prá sinhora, é mió pará,
cum essa pabulage, cum essa coisa feia,
gozando na tapa, na língua, na pêia,
cantando galope na bêra do má.
Veja o site de Bob Motta, aqui. (Foto)

Brasil globalizado

Brasil globalizado: país destina cerca de meio bilhão por ano a ajuda internacional
Leandro Kleber
Do Contas Abertas
"Enquanto sofre internamente com a falta de dinheiro para políticas fundamentais de infra-estrutura, saúde, educação e segurança pública, o Brasil precisa "exportar" recursos ao resto do mundo, no intuito de fazer valer seus interesses nas dicussões internacionais. Anualmente o governo gasta cerca de R$ 500 milhões com cooperação internacional, como consta no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). A conta inclui, além da cooperação, no sentido social, contribuições a entidades internacionais e missões militares no exterior.
De 2001 para cá, R$ 3,2 bilhões saíram dos cofres públicos da União para arcar com tais despesas. O valor gasto até agora daria para custear a construção de cerca de 185 mil casas populares. Além disso, supera o orçamento total dos Ministérios do Esporte e da Cultura para este ano de Pan Americano, R$ 2,3 bilhões. Para 2007, estão previstos em orçamento R$ 464,1 milhões para as colaborações financeiras internacionais.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) é o órgão público dono da maior conta de "cooperação financeira" no âmbito global. A Pasta possui um programa de gestão da participação em organismos internacionais, o qual destina recursos para entidades como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além disso, o ministério também tem o programa de cooperação cientifica, técnica e de tecnologia internacional. Desde 2001, já foram repassados R$ 823,4 milhões às entidades.
Somente no ano passado, o Mercosul recebeu do governo brasileiro R$ 75,4 milhões. A marca, maior contribuição que o país prestou em 2006, parece ser resultado da promessa do presidente Lula de fortalecer o bloco. Fora isso, as maiores despesas no exterior são com atuações das Forças Armadas – missões de paz, como a do Haiti e Timor Leste, e ações de cooperação militar com países amigos. Quase toda essa quantia faz parte do orçamento do Ministério da Defesa, segunda Pasta que mais aplica recursos com essa finalidade.
Em 2004, dos R$ 189 milhões destinados pela União à cooperação internacional, R$ 142,5 milhões (75%) foram para a missão de paz da ONU comandada pelo país no Haiti. Desde o início da operação militar, há três anos, o Brasil já gastou pelo menos R$ 315,9 milhões no país da América Central. O valor é quase equivalente à previsão de investimentos, somados, dos Ministérios da Cultura e do Meio Ambiente para todo o ano de 2007, que é de R$ 327,7 milhões. Outro conflito socorrido por recursos dos cofres públicos brasileiros foi o do Timor Leste. Lá, o governo brasileiro gastou pelo menos R$ 28,2 milhões com a missão de paz organizada pela ONU."

Brasil globalizado

Brasil globalizado: país destina cerca de meio bilhão por ano a ajuda internacional
"Estratégia política
A assessoria de imprensa do MRE afirma que a cooperação internacional, à qual se refere o Orçamento Geral da União, é diferente da utilizada pelo órgão. Segundo a assessoria, cooperação internacional consiste apenas em ações de cunho social desenvolvidas em outros países, enquanto que a rubrica classificada no sistema com este título inclui as contribuições a organismos internacionais e missões militares. No que diz respeito ao MRE, a maior parte do repasse classificado como "cooperação" refere-se às "contribuições a organismos internacionais", ou seja, repasses feitos à ONU, OMS, OIT, dentre várias outras entidades.
A assessoria informou que tais aplicações são prerrogativas de acordos feitos entre países. "Essa estratégia é fundamental para assegurar a presença brasileira no cenário internacional, garantindo que a voz do Brasil seja ouvida e que o país possa influenciar a agenda mundial de maneira a defender seus interesses", explicou o órgão.
Já as ações de cooperação internacional, no sentido estritamente social, também visam defender os direitos da nação e ampliam a presença brasileira no mundo com a marca de postura solidária. Nesse caso, os recursos servem para financiar projetos de auxílio a países que estão passando dificuldades. Segundo o Itamaraty, a maior parte das atividades financiadas são coordenadas por entidades brasileiras no exterior, que passam por uma rigorosa seleção. Tais projetos, além de contribuirem com o desenvolvimento de outros países, beneficiam indiretamente comunidades brasileiras que vivem nos países socorridos, como, por exemplo, Angola e Líbano.
Quanto às contribuições financeiras a entidades internacionais, o Itamaraty explicou que estas são revertidas em benefícios diretos para o Brasil e que a tendência de colaboração dos países é só aumentar, respeitando os limites da economia de cada nação. Esse tipo de contribuição, segundo o ministério, fortalece a posição brasileira em negociações internacionais, como a rodada de Doha. Serve como ferramenta para pressionar o bloco dos países ricos em defesa do interesse dos mais pobres, como, por exemplo, no tratamento dos subsídios agrícolas. Para finalizar, o MRE explica que grande parte do dinheiro aplicado nas missões militares (também classificadas como cooperação no Siafi) é reembolsada pela ONU.
O vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Alcides Costa Vaz, considera importante a cooperação que o país presta a organismos internacionais e a missões de paz. "Para um país que almeja participar efetivamente da agenda internacional, as quantias gastas são justificadas", afirma. Para ele, os valores pagos, por exemplo, às entidades, são definidos pelas próprias instituições, e não pelo Brasil. "Quando o país participa de fóruns multilaterais, nós assumimos compromissos", diz. Segundo Vaz, essas colaborações são essenciais porque atingem uma parcela importante dos interesses dos brasileiros. "É inevitável que haja uma interação maior entre os países hoje em dia".
Quanto à missão de paz no Haiti, o especialista acredita que os valores gastos lá pelo Brasil são explicados pelo número inédito de militares brasileiros enviados: são mais de mil pelotões. "Nós temos o Comando Militar da missão da ONU. Até pelo tamanho do nosso país, é uma questão de responsabilidade. É importante essa participação. O Brasil tem interesse político na região. Há razões humanas, políticas e econômicas para que a comunidade internacional tome uma atitude", explica. Vaz também considera relevante para a manutenção das Forças Armadas a colaboração do Brasil em missões de paz em outros países. Clique aqui para ver o orçamento destinado à cooperação internacional este ano. (Autor: Leandro Kleber, Do Contas Abertas)